A LUZ | EDIÇÃO ESPECIAL — PLR 2026
Mudaram algumas metas. Mas o risco continua: elas são realmente alcançáveis?
APÓS A LIVE DA NEOENERGIA COSERN, REALIZADA DIA 06/10/2026, o SINTERN reafirma: não basta apresentar uma nova tabela com pequenos avanços. É preciso garantir que as metas sejam realistas, alcançáveis e compatíveis com aquilo que os trabalhadores efetivamente conseguem controlar.
A Neoenergia Cosern apresentou sua 4ª proposta de PLR 2026.
Houve mudanças. Mas mudança de número, por si só, não significa avanço.
A empresa reduziu o Combo Financeiro de 400 para 350 pontos, retornando à pontuação praticada em 2025. Também elevou o Combo Segurança de 60 para 100 pontos, igualmente retomando a pontuação de 2025.
Mas o problema central permanece: o Combo Financeiro continua concentrando uma pontuação elevada, muito acima de outros combos da PLR, mantendo uma pontuação desproporcional na composição da tabela.
E há uma questão que não pode ser ignorada: o Combo Financeiro reúne indicadores diretamente relacionados à gestão e às decisões estratégicas da empresa, o que torna ainda mais questionável atribuir a esse combo tamanha influência sobre a PLR dos trabalhadores.
Se a maior parte desses resultados está sob responsabilidade e governança da própria diretoria, não é razoável que o trabalhador assuma, parcela tão expressiva de 35% do risco de não atingimento em um único combo.
O trabalhador não pode pagar por uma meta que não controla
Esse é um dos principais pontos da negociação: os resultados do Combo Financeiro em 2024 e 2025 reforçam a necessidade de rever a pontuação desses indicadores na PLR.
A proposta da empresa continua atribuindo peso significativo a objetivos como:
Lucro Líquido, EBITDA, DOL e Fluxo Financeiro Operacional, que são indicadores importantes para a empresa, mas estão diretamente relacionados às decisões de gestão, planejamento e estratégia da diretoria do Grupo Neoenergia — fatores que não estão sob o controle dos trabalhadores da Neoenergia Cosern.
Decisões de investimento, orçamento, gestão, contabilidade, multas regulatórias e estratégia empresarial interferem diretamente nesses resultados. Sendo uma das principais críticas do SINTERN.
O trabalhador pode contribuir para o resultado. Mas não pode ser responsabilizado sozinho por aquilo que não decide.
O SINTERN propõe 250 pontos como limite máximo para qualquer combo dos Objetivos de PLR.
Na proposta sindical, nenhum conjunto de indicadores teria poder tão concentrado sobre o resultado.
A lógica é simples:
MAIS EQUILÍBRIO NA PONTUAÇÃO = MENOR RISCO DE UMA ÚNICA ÁREA DERRUBAR A PLR DE TODOS.
Meta desafiadora é uma coisa. Meta superdimensionada é outra.
O SINTERN não defende meta fácil. Defende meta possível.
A empresa alterou diversos parâmetros na quarta proposta. Houve flexibilizações no DEC, FEC, TMAE, PLA, PCE, perdas, satisfação do cliente e outros indicadores.
Mas o fato de uma meta ter sido reduzida ou ampliada em relação à proposta anterior não prova que ela seja alcançável.
É preciso olhar o histórico.
É preciso olhar a realidade operacional atual.
E, principalmente, é preciso separar aquilo que depende do trabalho dos empregados daquilo que depende de decisões da empresa.
A EMPRESA ALEGA QUE AS METAS FORAM TECNICAMENTE DIMENSIONADAS E SÃO, DE FATO, ALCANÇÁVEIS. ASSIM, SERÁ NATURAL QUE, EM JANEIRO DE 2027, OS ESPECIALISTAS RESPONSÁVEIS POR SUA DEFINIÇÃO APRESENTEM AOS TRABALHADORES OS RESULTADOS OBTIDOS E, PRINCIPALMENTE, EXPLIQUEM TECNICAMENTE OS FATORES QUE DETERMINARAM O NÃO CUMPRIMENTO DAQUELAS QUE NÃO FOREM ATINGIDAS.
R$ 23 milhões: projeção ou compromisso?
A Neoenergia Cosern apresentou, na live, uma estimativa de aproximadamente R$ 23 milhões para o montante total da PLR 2026, o que representaria uma média individual de cerca de R$ 22,7 mil. Entretanto, trata o valor como uma simulação, e não como garantia.
Diante disso, o SINTERN coloca uma proposta objetiva sobre a mesa:
SE A EMPRESA TEM SEGURANÇA PARA APRESENTAR AOS TRABALHADORES UMA PROJEÇÃO DE R$ 23 MILHÕES, QUE TRANSFORME ESSA PROJEÇÃO EM COMPROMISSO FORMAL NO ACORDO COLETIVO.
Se os R$ 23 milhões forem assegurados como valor mínimo de distribuição da PLR 2026, o SINTERN levará a proposta à deliberação dos trabalhadores.
Porque projeção não é garantia.
E uma estimativa apresentada em uma live não pode ter o mesmo peso de um compromisso assumido formalmente em um instrumento coletivo.
SE A EMPRESA PROJETA ESSE RESULTADO, QUE ASSUMA O COMPROMISSO COM ELE. PROJEÇÃO NÃO PODE SERVIR COMO ARGUMENTO HOJE E, AMANHÃ, SER JUSTIFICADA APENAS PELO FATO DE NÃO TER SIDO ALCANÇADA.
PLR não se acompanha em dezembro. Se acompanha o ano inteiro.
Uma das principais propostas do SINTERN é garantir transparência e acompanhamento permanente dos objetivos da PLR pelos trabalhadores.
Não é razoável esperar o encerramento do exercício para descobrir que uma meta não foi atingida — ou que determinado indicador caminhou, durante meses, para um resultado diferente do projetado.
Se a PLR é construída a partir de metas e indicadores, o trabalhador precisa acompanhar sua evolução ao longo do ano — quando ainda é possível identificar desvios, compreender suas causas e adotar ações concretas para corrigir a trajetória e influenciar o resultado.
Por isso, o SINTERN defende:
- acompanhamento mensal dos objetivos e indicadores;
- transparência na evolução dos resultados;
- acesso aos dados que sustentam a apuração;
- disponibilização da memória de cálculo;
- participação efetiva dos trabalhadores no acompanhamento da PLR.
Por que isso é importante?
Porque transparência não pode ser apenas a apresentação depois que o ano acabou.
Se uma meta é definida no início do exercício, sua evolução precisa ser conhecida ao longo dele.
Se um indicador se afastar da trajetória esperada, os trabalhadores precisam ser informados tempestivamente, para que possam compreender as causas do desvio e, ainda em tempo, adotar ações concretas capazes de corrigir a trajetória e contribuir para o atingimento da meta.
A PLR NÃO PODE SER UMA CAIXA-PRETA QUE SÓ É ABERTA NO FINAL DO ANO.
Transparência no final é prestação de contas.
Transparência durante o processo é governança.
E é exatamente isso que o SINTERN está propondo: que o trabalhador não seja apenas informado sobre o resultado da PLR, mas tenha condições de acompanhar como esse resultado está sendo construído ao longo de todo o ano.
Uma comparação sem o contexto não mostra toda a realidade
Na live, a empresa destacou que a Neoenergia Cosern é a única distribuidora do Grupo que ainda não formalizou o acordo de PLR 2026, utilizando essa informação como argumento de comparação. O que não foi apresentado aos trabalhadores é que a negociação da Cosern também começou depois das demais distribuidoras do Grupo. Enquanto as negociações nas outras empresas tiveram início no começo do ano, na Neoenergia Cosern o processo somente começou em julho de 2026.
Comparar apenas quem já assinou e quem ainda não assinou, sem apresentar quando cada negociação começou, é oferecer ao trabalhador apenas parte da informação. E, quando informações relevantes são deixadas de fora, a leitura do processo pode ser distorcida. Transparência não é escolher quais dados apresentar; é apresentar o contexto completo para que os trabalhadores possam formar sua própria opinião sobre a negociação.
Não basta apresentar o resultado da comparação. É preciso apresentar a história completa.
7,01 salários: um número que precisa ser colocado em contexto
A empresa também apresentou o comparativo de 7,01 salários-base de referência para a Neoenergia Cosern. Mas há um dado fundamental que não pode ser omitido: O GRUPO NEOENERGIA PRATICA ATUALMENTE O MENOR SALÁRIO-BASE DO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO. Por isso, apresentar a PLR apenas em quantidade de salários pode produzir uma percepção distorcida sobre o valor efetivamente recebido pelo trabalhador. Quanto menor o salário-base utilizado como referência, maior será, proporcionalmente, o número de salários necessário para representar determinado valor de PLR.
Portanto, 7,01 salários não podem ser apresentados isoladamente como se fossem, por si só, demonstração de uma PLR elevada. A comparação precisa ser feita com transparência e levando em conta a realidade salarial dos empregados do Grupo Neoenergia.
PLR não pode ser usada para maquiar uma realidade salarial que precisa ser enfrentada.
A negociação ainda não terminou
Em 30 de setembro de 2026, no final da noite, a Neoenergia Cosern encaminhou, por e-mail, sua quarta proposta de PLR 2026.
Antes disso, o SINTERN havia disponibilizado cinco datas para a continuidade das negociações presenciais: 01, 02, 06, 07 e 08 de outubro de 2026. Ou seja, havia disposição do Sindicato para que as negociações continuassem diretamente entre as partes.
A empresa, entretanto, optou por levar a discussão para a mediação no Ministério Público do Trabalho (MPT), agendada para 07 de outubro de 2026, às 14h.
O SINTERN respeita e participa do processo de mediação. Mas é importante deixar claro:
ENQUANTO O SINTERN BUSCA AVANÇAR NAS NEGOCIAÇÕES, A NEOENERGIA COSERN PASSA GRANDE PARTE DO PROCESSO POSTERGANDO O DIÁLOGO, LEVANDO A DISCUSSÃO À MEDIAÇÃO DO MPT, EM VEZ DE AVANÇAR NA CONSTRUÇÃO DE UM ACORDO ENTRE AS PARTES.
A mediação é um espaço para aproximar as partes e buscar uma solução para o impasse. Ela não transforma a quarta proposta em acordo e não substitui a necessária construção de um consenso entre empresa e trabalhadores.
O SINTERN continua disposto a negociar. Mas, para que haja avanço, é necessário que a empresa também demonstre disposição para rever os pontos que permanecem em discussão.
O Sindicato reconhece que houve mudanças em alguns objetivos ao longo da negociação. Mas mudar números não significa, necessariamente, corrigir os problemas estruturais da proposta.
Ainda permanecem questões fundamentais: a concentração excessiva de pontos em determinados indicadores; metas condicionadas a fatores que não estão sob a governança dos trabalhadores; e a necessidade de aperfeiçoamento da metodologia de apuração da PLR.
Por isso, o SINTERN segue negociando para garantir critérios equilibrados, transparência, acompanhamento efetivo e uma metodologia que permita medir de forma justa o resultado de quem efetivamente contribui para produzi-lo: o trabalhador.
07/10/2026 é dia de mediação no MPT
O SINTERN estará na mediação para defender uma PLR com metas desafiadoras, mas alcançáveis; critérios transparentes; distribuição equilibrada de pontos e acompanhamento efetivo durante todo o ano.
SINTERN — ENERGIA, TRABALHO E LUTA.