ACT PLR 2026 – TERCEIRA RODADA DE NEGOCIAÇÃO
Sindicato fez sua parte, mas Neoenergia Cosern tem que avançar de verdade.
Após a terceira rodada de negociação da PLR 2026, a Neoenergia Cosern continua demonstrando pouca disposição para avançar de forma efetiva. As alterações apresentadas pela empresa entre a proposta inicial e a terceira rodada foram insuficientes para superar os principais impasses. Do lado do SINTERN, não faltaram iniciativa, disposição e propostas concretas. O Sindicato apresentou contrapropostas para a pauta e para os objetivos, demonstrando, na prática, que está comprometido com a construção de um acordo justo para os trabalhadores.
A proposta da Neoenergia Cosern ainda está longe de reunir condições para ser submetida à deliberação dos empregados: metas superdimensionadas, faixas mínimas de ranges e concentração excessiva de pontuação em determinados combos e objetivos comprometem o equilíbrio do modelo e podem dificultar o alcance de uma PLR condizente com o esforço e a contribuição dos empregados para os resultados da empresa.
O principal impasse está na insistência da empresa em manter metas e critérios que podem comprometer o resultado da PLR, inclusive vinculando parte significativa da pontuação a fatores que não estão sob o controle direto dos trabalhadores. Não é razoável transferir aos empregados o peso de variáveis que eles não controlam, enquanto são justamente eles que, com seu trabalho e dedicação, contribuem diretamente para os resultados da empresa.
Um dos principais pontos de divergência é o combo financeiro. Com o objetivo de destravar a negociação e equilibrar a distribuição da pontuação, o SINTERN propôs limitar esse combo a, no máximo, 250 pontos. A Neoenergia Cosern, entretanto, insiste em manter 350 pontos, preservando uma concentração elevada de pontuação nesse conjunto de objetivos. Essa resistência impede avanços em um dos pontos centrais da negociação.
preservando uma concentração elevada de pontuação nesse conjunto de objetivos
com o objetivo de destravar a negociação e equilibrar a distribuição da pontuação
A PLR não pode ser tratada como um instrumento para estabelecer metas cada vez mais difíceis e inalcançáveis, visando reduzir o valor da PLR dos empregados. A negociação precisa avançar com propostas, por parte da empresa, que contemplem metas desafiadoras, mas realistas, considerando as dificuldades e os desafios atuais da Empresa, sem deixar de ser efetivamente alcançáveis. Os objetivos devem ser compatíveis com as condições de realização do trabalho e reconhecer o esforço, a dedicação e o comprometimento dos trabalhadores, que, na prática, constroem os resultados técnicos e operacionais que sustentam o desempenho financeiro e a geração de lucro da Neoenergia Cosern.
A disposição do SINTERN para negociar ficou mais uma vez demonstrada no encerramento da rodada de 30 de setembro. O Sindicato disponibilizou as datas de 1, 2, 6, 7 e 8 de outubro de 2026 para a realização de novas rodadas, buscando dar continuidade às discussões e acelerar a construção de um acordo. A empresa, entretanto, não aceitou as datas propostas.
Ao longo de todo o processo, o SINTERN vem apresentando alternativas concretas para superar os impasses. Já foram construídas três formulações relacionadas à pauta e duas tabelas de objetivos. Isso demonstra que o Sindicato não se limita: apresenta propostas, questiona critérios e oferece caminhos para construir um modelo de PLR mais equilibrado e transparente.
Já foram construídasMesmo diante desse esforço, questões importantes continuam sem respostas objetivas da empresa. Cláusulas, propostas e mudanças metodológicas apresentadas pelo SINTERN ainda não foram devidamente enfrentadas na mesa de negociação.
Para o Sindicato, negociar com seriedade exige transparência e respeito ao processo. Cada proposta apresentada precisa receber uma resposta clara que não seja apenas NEGAR: o que a empresa aceita, o que rejeita e o que está disposta a modificar. Negociação não é imposição. Não basta apresentar uma proposta, ignorar as contrapropostas dos trabalhadores e esperar que a categoria aceite o que foi colocado.
Negociação não é imposição.
O SINTERN também apresentou novos indicadores e alternativas metodológicas para ampliar o equilíbrio na composição da PLR. Essas contribuições precisam ser efetivamente analisadas e debatidas, e não simplesmente registradas sem uma contraposição concreta da empresa.
Também não aceitaremos que pequenas alterações sejam apresentadas como grandes avanços, o que vem acontecendo com frequência nas falas dos representantes do Grupo Neoenergia. Partir de uma proposta desfavorável, sem promover mudanças necessárias e tentar encerrar a discussão não representa evolução suficiente. Uma negociação exige movimento real das duas partes, disposição para rever posições e compromisso com a construção de um resultado justo.
Da mesma forma, o Sindicato considera inadequado tratar qualquer proposta como definitiva enquanto permanecem pontos relevantes sem discussão conclusiva. Uma proposta só estará madura para deliberação da categoria quando os principais impasses forem enfrentados e houver clareza sobre o que efetivamente foi negociado.
O SINTERN continuará defendendo uma negociação baseada em transparência, equilíbrio e reconhecimento do trabalho dos empregados. Queremos uma proposta que considere os desafios da empresa, mas que também respeite os direitos e a contribuição de quem produz seus resultados.
Nosso compromisso é construir um acordo que possa ser apresentado aos trabalhadores com total transparência, permitindo que cada empregado conheça o conteúdo negociado e tenha condições de deliberar de forma consciente.
O SINTERN está fazendo a sua parte. Agora, cabe à Neoenergia Cosern demonstrar, com atitudes concretas, se realmente quer negociar.