ACT PLR 2026 – TERCEIRA RODADA DE NEGOCIAÇÃO

Sindicato fez sua parte, mas Neoenergia Cosern tem que avançar de verdade.

A Luz Online — ACT PLR 2026: terceira rodada de negociação
Edição 32/2026

Após a terceira rodada de negociação da PLR 2026, a Neoenergia Cosern continua demonstrando pouca disposição para avançar de forma efetiva. As alterações apresentadas pela empresa entre a proposta inicial e a terceira rodada foram insuficientes para superar os principais impasses. Do lado do SINTERN, não faltaram iniciativa, disposição e propostas concretas. O Sindicato apresentou contrapropostas para a pauta e para os objetivos, demonstrando, na prática, que está comprometido com a construção de um acordo justo para os trabalhadores.

A proposta da Neoenergia Cosern ainda está longe de reunir condições para ser submetida à deliberação dos empregados: metas superdimensionadas, faixas mínimas de ranges e concentração excessiva de pontuação em determinados combos e objetivos comprometem o equilíbrio do modelo e podem dificultar o alcance de uma PLR condizente com o esforço e a contribuição dos empregados para os resultados da empresa.

O principal impasse está na insistência da empresa em manter metas e critérios que podem comprometer o resultado da PLR, inclusive vinculando parte significativa da pontuação a fatores que não estão sob o controle direto dos trabalhadores. Não é razoável transferir aos empregados o peso de variáveis que eles não controlam, enquanto são justamente eles que, com seu trabalho e dedicação, contribuem diretamente para os resultados da empresa.

Um dos principais pontos de divergência é o combo financeiro. Com o objetivo de destravar a negociação e equilibrar a distribuição da pontuação, o SINTERN propôs limitar esse combo a, no máximo, 250 pontos. A Neoenergia Cosern, entretanto, insiste em manter 350 pontos, preservando uma concentração elevada de pontuação nesse conjunto de objetivos. Essa resistência impede avanços em um dos pontos centrais da negociação.

A Neoenergia Cosern insiste em manter 350 pontos no combo financeiro

preservando uma concentração elevada de pontuação nesse conjunto de objetivos

O SINTERN propôs limitar esse combo a, no máximo, 250 pontos

com o objetivo de destravar a negociação e equilibrar a distribuição da pontuação

A PLR não pode ser tratada como um instrumento para estabelecer metas cada vez mais difíceis e inalcançáveis, visando reduzir o valor da PLR dos empregados. A negociação precisa avançar com propostas, por parte da empresa, que contemplem metas desafiadoras, mas realistas, considerando as dificuldades e os desafios atuais da Empresa, sem deixar de ser efetivamente alcançáveis. Os objetivos devem ser compatíveis com as condições de realização do trabalho e reconhecer o esforço, a dedicação e o comprometimento dos trabalhadores, que, na prática, constroem os resultados técnicos e operacionais que sustentam o desempenho financeiro e a geração de lucro da Neoenergia Cosern.

A disposição do SINTERN para negociar ficou mais uma vez demonstrada no encerramento da rodada de 30 de setembro. O Sindicato disponibilizou as datas de 1, 2, 6, 7 e 8 de outubro de 2026 para a realização de novas rodadas, buscando dar continuidade às discussões e acelerar a construção de um acordo. A empresa, entretanto, não aceitou as datas propostas.

O Sindicato disponibilizou as datas de outubro de 2026 para a realização de novas rodadas

Ao longo de todo o processo, o SINTERN vem apresentando alternativas concretas para superar os impasses. Já foram construídas três formulações relacionadas à pauta e duas tabelas de objetivos. Isso demonstra que o Sindicato não se limita: apresenta propostas, questiona critérios e oferece caminhos para construir um modelo de PLR mais equilibrado e transparente.

Já foram construídas
3Formulações relacionadas à pauta
2Tabelas de objetivos

Mesmo diante desse esforço, questões importantes continuam sem respostas objetivas da empresa. Cláusulas, propostas e mudanças metodológicas apresentadas pelo SINTERN ainda não foram devidamente enfrentadas na mesa de negociação.

Para o Sindicato, negociar com seriedade exige transparência e respeito ao processo. Cada proposta apresentada precisa receber uma resposta clara que não seja apenas NEGAR: o que a empresa aceita, o que rejeita e o que está disposta a modificar. Negociação não é imposição. Não basta apresentar uma proposta, ignorar as contrapropostas dos trabalhadores e esperar que a categoria aceite o que foi colocado.

Negociação não é imposição.

O SINTERN também apresentou novos indicadores e alternativas metodológicas para ampliar o equilíbrio na composição da PLR. Essas contribuições precisam ser efetivamente analisadas e debatidas, e não simplesmente registradas sem uma contraposição concreta da empresa.

Também não aceitaremos que pequenas alterações sejam apresentadas como grandes avanços, o que vem acontecendo com frequência nas falas dos representantes do Grupo Neoenergia. Partir de uma proposta desfavorável, sem promover mudanças necessárias e tentar encerrar a discussão não representa evolução suficiente. Uma negociação exige movimento real das duas partes, disposição para rever posições e compromisso com a construção de um resultado justo.

Da mesma forma, o Sindicato considera inadequado tratar qualquer proposta como definitiva enquanto permanecem pontos relevantes sem discussão conclusiva. Uma proposta só estará madura para deliberação da categoria quando os principais impasses forem enfrentados e houver clareza sobre o que efetivamente foi negociado.

O SINTERN continuará defendendo uma negociação baseada em transparência, equilíbrio e reconhecimento do trabalho dos empregados. Queremos uma proposta que considere os desafios da empresa, mas que também respeite os direitos e a contribuição de quem produz seus resultados.

Nosso compromisso é construir um acordo que possa ser apresentado aos trabalhadores com total transparência, permitindo que cada empregado conheça o conteúdo negociado e tenha condições de deliberar de forma consciente.

O SINTERN está fazendo a sua parte. Agora, cabe à Neoenergia Cosern demonstrar, com atitudes concretas, se realmente quer negociar.

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